TDAH em adultos: como reconhecer sinais que passam despercebidos por anos

 TDAH em adultos pode se manifestar com impulsividade social


O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) pode começar na infância e só ser notado muitos anos depois, quando os sintomas passam a pesar na rotina, no trabalho, nas relações e na saúde emocional.


O que você precisa saber

Critérios do diagnóstico exigem sinais antes dos 12 anos. Por ser um transtorno do neurodesenvolvimento, a avaliação em adultos inclui investigar dificuldades que já apareciam na infância, mesmo que tenham sido interpretadas como "distração" ou "desorganização".


Quadro pode envolver desatenção, hiperatividade e impulsividade, separadas ou juntas. Há pessoas com predomínio de desatenção, outras com mais hiperatividade e impulsividade, e casos em que os dois grupos de sintomas se combinam.

Nem todo mundo mantém os sintomas na vida adulta, mas uma parcela segue com o transtorno. Estudos citados por especialistas apontam que cerca de 20% de quem recebeu diagnóstico na infância continua com TDAH quando adulto.


Dificuldade de atenção costuma aparecer em mais de uma área da vida. Profissionais avaliam se o problema de foco se repete no trabalho, em casa e na vida social, porque uma queixa restrita a um único ambiente pode ter outras causas.


Desorganização e esquecimentos podem atrapalhar tarefas simples e compromissos. Perder objetos, esquecer itens do dia a dia, ter dificuldade para seguir orientações e manter rotina organizada são queixas frequentes e podem afetar trabalho, estudos e vida doméstica.


Sinais que muita gente não liga ao transtorno

Impulsividade social pode aparecer como interrupções e "sinceridade" fora de hora. Alguns adultos têm dificuldade de se controlar em conversas, falam sem pensar e acabam criando atritos ou situações constrangedoras.


Oscilações de humor e baixa tolerância à frustração podem virar um problema recorrente. Irritabilidade, culpa e instabilidade emocional podem se misturar a quadros de ansiedade e depressão, o que dificulta reconhecer a origem dos sintomas.

Mudanças frequentes de emprego, projetos ou hobbies podem estar ligadas à busca constante por novidade. A troca contínua pode trazer instabilidade e a sensação de "não terminar nada", especialmente quando vem acompanhada de dificuldade de planejamento e organização.


Sensação de estar acelerado o tempo todo pode aparecer no corpo e no sono. Movimentos repetitivos, como balançar as pernas, dificuldade para relaxar e episódios de insônia são citados como sinais que podem acompanhar o TDAH.


"Hiperfoco" pode ocorrer em temas de grande interesse. Quando a atividade é motivadora, pode haver concentração intensa por horas, mesmo com dificuldade de manter a atenção em tarefas pouco estimulantes. 

Quando o TDAH afeta saúde mental e segurança

Transtorno pode ter efeito dominó no emocional, com queda de autoestima e sofrimento. Especialistas relacionam o TDAH a autoestima baixa, ansiedade, depressão e conflitos conjugais, além de prejuízos no desempenho escolar e ocupacional.


No trânsito, distração e impulsividade podem aumentar o risco de acidentes. Em casos mais graves, dirigir pode se tornar perigoso pela dificuldade de manter o foco constante.

Uso de álcool, nicotina e outras substâncias pode aparecer como tentativa de aliviar sintomas. O abuso pode agravar o quadro e confundir a avaliação, já que também pode produzir sinais parecidos com os do TDAH.


Diagnóstico e tratamento: por onde começar

Diagnóstico é clínico e deve ser feito por psiquiatra ou psicólogo capacitado. Testes de atenção e questionários podem ajudar na avaliação, mas não confirmam o quadro sozinhos, e o profissional precisa descartar condições com sintomas semelhantes.


Em adultos, a avaliação checa o histórico desde a infância e o impacto na vida diária. Profissionais usam critérios clínicos e podem recorrer a instrumentos como questionários de autorrelato para medir frequência e intensidade dos sintomas.


Tratamento varia conforme a intensidade e costuma combinar abordagens. Entre as estratégias estão terapia cognitivo-comportamental, ajustes na rotina, técnicas de organização e, quando indicado, medicamentos para ajudar na concentração, no autocontrole e em dificuldades emocionais.

(Com informações do UOL)

Comentários