A vontade de comer doce depois das refeições pode estar ligada à saciedade, aos hábitos e às associações de recompensa
Você termina o almoço satisfeito, mas basta alguém mencionar sobremesa para surgir aquela vontade de comer um doce. Não é necessariamente fome —e tampouco significa que esteja faltando açúcar no organismo.
O desejo por doces depois das refeições resulta de uma combinação de mecanismos biológicos, hábitos, experiências pessoais e contexto social. Os cientistas já formularam várias teorias para explicar esse fenômeno. Uma delas é que os alimentos como frutas e amidos são fonte de energia rápida e, assim, garantiram a nossa sobrevivência no passado. Ou seja, isso poderia ser uma adaptação evolucionária.
No entanto, hoje os especialistas em nutrição entendem que o desejo por itens açucarados pode ser uma necessidade natural dentro de uma dieta balanceada. Mas existem outros possíveis mecanismos.
O cérebro também aprende
Se almoço e sobremesa aparecem juntos com frequência, o cérebro passa a associar o fim da refeição à recompensa do doce.
Cultura e experiências pessoais também pesam. Para algumas pessoas, sobremesa faz parte do ritual familiar; para outras, doces foram associados desde a infância a celebrações ou conforto.
Estresse e tédio podem reforçar a busca por alimentos muito palatáveis. Isso, porém, não significa "vício em açúcar". Segundo especialistas ouvidos por VivaBem, não existe vício em comida; o que existe é vício nas sensações que esses alimentos promovem.
Trabalho pelo bem da glicemia
Quando uma pessoa saudável come uma refeição rica em carboidratos e gorduras, as taxas de glicemia (quantidade de açúcar no sangue) sobem rapidamente. O pâncreas, então, libera insulina para controlar esses níveis. Isso pode resultar no desejo de comer doce para manter o fluxo energético entre pessoas saudáveis.
Entre pessoas com diabetes ou pré-diabetes, porém, ainda não está claro o que vem primeiro: a vontade de comer doces ou o desequilíbrio do pâncreas. O maior consumo de açúcar resulta na liberação de mais insulina pelo pâncreas, o que leva à maior necessidade dela nesse grupo. Os médicos chamam esse último quadro de resistência insulínica.
O mau funcionamento do pâncreas também poderia ser a causa da vontade de comer mais doce para que a produção de insulina aumente.
Ih, está faltando vitaminas
Estilo de vida, doenças crônicas e má absorção de nutrientes podem causar deficiência de vitaminas C e D, zinco, magnésio e vitaminas do complexo B. Esses nutrientes participam da produção.de neurotransmissores ligados ao humor (serotonina, dopamina, etc) e ao funcionamento cerebral.
Especialistas acreditam que a vontade de comer açúcar pode ser uma tentativa de compensar a falta de bem-estar.
Essas deficiências também podem estar relacionadas ao diabetes e interferir na glicemia, na secreção de insulina e no metabolismo da glicose.
Como lidar com a vontade?
Não é preciso transformar o doce em alimento proibido. Restrições rígidas podem levar a compulsão.
Umaestratégia mais útil é observar o padrão: a vontade aparece apenas depois das refeições ou também em momentos de estresse e tédio? É fome ou desejo específico por determinado alimento?
Porções menores, frutas como sobremesa e refeições longe das telas podem ajudar a reduzir o consumo automático. Se houver episódios frequentes de perda de controle, culpa ou exagero, vale buscar orientação profissional.
(Com informações do UOL)

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