Mente derretendo? O que a ciência diz sobre 'brainrot', a podridão cerebral

O consumo excessivo de redes sociais pode afetar a atenção, o bem-estar emocional e os relacionamentos

Vídeos curtos, memes e rolagem interminável de redes sociais podem parecer uma distração inofensiva. Mas, quando o consumo digital ocupa espaço demais na rotina, pode prejudicar a atenção, o bem-estar emocional e os relacionamentos. É nesse contexto que ganhou popularidade o termo brainrot, expressão em inglês que significa "podridão cerebral" e descreve, de maneira informal, a deterioração do cérebro por consumo excessivo de conteúdo superficial.


O que é brainrot

O termo surgiu em 2007 como uma brincadeira, mas ganhou força com o debate sobre os efeitos do uso excessivo da internet. Ele não é um diagnóstico médico reconhecido. O fenômeno, porém, chama a atenção de especialistas que estudam a relação entre hábitos digitais e saúde mental.


Uma das preocupações é quando a vida online passa a dominar os pensamentos e as atividades cotidianas. O uso excessivo de redes sociais e jogos pode funcionar como uma forma de escapar de problemas, além de prejudicar o trabalho, os estudos e os relacionamentos. Em alguns grupos, a expressão virou motivo de piada ou até símbolo de status, apesar dos possíveis prejuízos.

Como o excesso de telas afeta a saúde

Os efeitos não se restringem a crianças e adolescentes. Uma revisão publicada na revista PLOS Global Public Health coloca o uso de redes sociais ao lado do tabaco, do álcool e do hábito de jogar como fator de risco para sintomas depressivos, ideação suicida e autolesões.


A comparação constante com imagens de vidas aparentemente perfeitas também pode alimentar a insatisfação. A busca por curtidas, seguidores e aprovação nas redes favorece a ansiedade e os sintomas depressivos, sobretudo em períodos de estresse. Irritabilidade e insônia também podem aparecer.


Outro ponto é o excesso de informação. Vídeos curtos, mensagens rápidas e conteúdos repetitivos disputam a atenção em sequência. Especialistas acreditam que esse consumo intenso pode estar relacionado às queixas de dificuldade de concentração e memória.


Na infância e na adolescência, a preocupação é ainda maior, pois o córtex pré-frontal, região envolvida no controle dos impulsos, na atenção, na regulação emocional e na tomada de decisões, continua em desenvolvimento até aproximadamente os 25 anos.

O tempo dedicado às telas também pode tomar o lugar de atividades importantes, como praticar exercícios, estar em contato com a natureza e cultivar relações presenciais. Embora a interação digital dê a sensação de convivência, ela nem sempre oferece as mesmas experiências sociais, capazes de exercitar a empatia e de desenvolver a habilidade de lidar com situações cotidianas.

Quando é hora de buscar ajuda

O sinal de alerta não é simplesmente passar muitas horas online, mas perder o controle sobre esse hábito e permitir que ele prejudique outras áreas da vida. Jogos e redes sociais podem oferecer recompensas imediatas, como curtidas, novas fases e notificações, o que estimula a busca contínua por mais estímulos.


Quando a pessoa não consegue reduzir o uso, deixa compromissos de lado ou percebe prejuízos à saúde e aos relacionamentos, vale procurar ajuda profissional. Serviços especializados em saúde mental também passaram a abordar a dependência digital entre jovens.


Como as telas fazem parte da vida cotidiana, a solução não é necessariamente bani-las. O caminho é buscar equilíbrio, reduzir a preocupação constante com a aprovação alheia e reservar tempo para atividades fora do ambiente digital. O uso merece atenção quando deixa de ser uma escolha e passa a comandar a rotina.

(Com informações do UOL)

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