87,3% das informações sobre saúde que circulam nas redes sociais são falsas, diz novo relatório feito no Brasil

 Levantamento feito pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa, analisou publicações de 2017 a 2026 e concluiu que 87,3% tinham desinformação



Quase 9 a cada 10 informações sobre saúde que circulam nas redes sociais sociais são falsas, aponta o novo relatório “Raio-X da Desinformação em Saúde”, produzido pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da agência de checagens Lupa, com apoio da Afya.

Os responsáveis analisaram 764 alegações feitas em publicações entre 2017 e 30 de junho de 2026, que foram checadas ao longo do período pela agência, e identificaram que 87,3% delas foram classificadas como falsas. Segundo o documento, isso equivale a, em média, "mais de uma nova alegação falsa de grande alcance checada por semana"

Os temas mais comuns abordados nas postagens durante o período foram a Covid-19, em 61%; tratamentos, curas e métodos de prevenção, em 34%, e alimentos, bebidas e nutrição, tópico de 24% dos conteúdos nas redes. Um mesmo conteúdo pode abordar mais de um tema.

Além disso, o estudo identificou diversas estratégias recorrentes na propagação da desinformação em saúde. As quatro mais frequentes foram o uso de uma autoridade médica ou científica falsa (21,59%); a exploração do medo e de linguagem alarmista (17,09%); a distorção de estudos e dados (15,74%) e a promessa de soluções simples para problemas complexos (12,59%).

De acordo com os autores do trabalho, o uso de falsa autoridade médica ou científica não envolve apenas a invenção de um especialista, como também declarações verdadeiras que foram retiradas de contexto, conclusões científicas exageradas, limitações de pesquisas omitidas e falas nunca feitas atribuídas a profissionais reais.

"Em vez de simplesmente rejeitar a ciência, esses conteúdos se apropriam de seus sinais de autoridade para conferir credibilidade a alegações falsas", explica.

O relatório também destaca que a exploração do medo e de linguagem alarmista passou a representar a principal estratégia usada no período mais recente, entre 2025 e junho de 2026, presente em 33,82% das vezes. Esse método "transforma alegações em alertas urgentes e associa vacinas, tratamentos e até produtos cotidianos a consequências graves, como infertilidade, câncer ou morte".


De acordo com a Agência Lupa, o levantamento mostra que receitas caseiras e promessas de tratamentos milagrosos passaram a dividir espaço com anúncios pagos, vídeos manipulados por inteligência artificial e falsas declarações atribuídas a médicos no período. O WhatsApp foi a plataforma mais recorrente, presente em 70,5% das checagens analisadas.

Para Maiquel Rosauro, pesquisador da Lupa responsável pelo estudo, a pandemia ampliou a escala da desinformação em saúde, mas também reforçou estratégias que já circulavam antes da crise sanitária.



“O que o estudo mostra, olhando para quase 10 anos de checagens, é que muitas das técnicas que explodiram naquele momento já existiam antes e continuam sendo usadas hoje. A mentira mudou de assunto, incorporou novas ferramentas, mas preservou mecanismos de persuasão muito parecidos”, afirma em nota.


(Com informações do Portal O Blobo)

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