HISTÓRIA DE SUCESSO: Referência no Nordeste, dona da Pardal começou vendendo picolé em feiras; exemplo de empreendedorismo, Joselma Maria vendia picolés em feiras para gerar renda extra. Hoje, produção diária é de 40 mil picolés
Referência no Nordeste, dona da Pardal começou vendendo picolé em feiras
Exemplo de empreendedorismo, Joselma Maria vendia picolés em feiras para gerar renda extra. Hoje, produção diária é de 40 mil picolés
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| Joselma Maria Oliveira começou vendendo picolés na feira. Hoje, o Picolé Pardal é um dos mais conhecidos do Nordeste (FOTO: Reprodução) |
– “Olha, o Pardal!”
– “Ei, me dá um Pardal?”
Frases como essas são comuns nas ruas do Ceará. E mesmo que o picolé não seja da Pardal. A empresa, uma das maiores marcas de picolés e sorvetes do Nordeste, surgiu há 25 anos, na cidade de Currais Novos, interior do Rio Grande do Norte. “Comecei a minha história vendendo 30 picolés, eu mesmavendia na feira livre. Como não gostava de fazer serviços do lar, para poder pagar uma empregada, pedi a receita dos picolés à minha madrinha”, lembra a então dona de casa Joselma Maria de Lima Oliveira.
Mesmo no início, a paraibana, natural da cidade de Picuí, já usava sua imensa criatividade: nasceu a ideia de criar um picolé que se adequasse melhor ao formato da boca. Assim, surgiu o picolé cônico. De qualidade comprovada e com o sabor já conhecido pelos clientes, rapidamente o novo formato tornou-se um sucesso.
Com o crescimento, a venda dos Picolés Caseiros chegou à quantidade de 500 unidades por dia. A simples iniciativa teve de ir muito além da pequena cidade onde tudo começou. O sabor conquistou tanto o paladar dos potiguares, que a empresa precisou aumentar seu raio de distribuição e migrar para cidades maiores, como Assú, Mossoró (ambos no Rio Grande do Norte) e finalmente Fortaleza. “As vendas foram crescendo e, no intuito de chegar a uma cidade grande para educar os filhos, fui mudando”.
Quando a empresa chegou a Fortaleza, em 1994, na Rua Marechal Deodoro, no Benfica, ainda se chamava Picolé Caseiro. Já em 1997, surgiu a necessidade de criar uma marca própria, provocada pela expansão do mercado. Os concorrentes começaram a imitar o nome, o formato das letras e do próprio picolé. A novidade veio inspirada em um personagem da Walt Disney.
“O meu marido, seu Francisco, era conhecido como ‘Professor Pardal’, por inventar equipamentos que ajudavam a empresa. Um amigo falou que éramos professores pardais, por termos muita imaginação para empreender. Como não poderíamos usar ‘Professor Pardal’ [personagem de ficção em quadrinhos], ficou Pardal Sorvetes”, conta.
O destaque da Pardal, carinhosamente chamada pelos clientes, segundo a proprietária, é a qualidade dos produtos, sabores naturais extraídos de frutas da região e tecnologia. “Antigamente, os produtos locais eram conhecidos como ‘pau d’água’ ou ‘picolé de ameba’. A cultura dos empresários que já fabricavam localmente era a de que os picolés para ser vendidos deveriam custar R$ 0,10. A Pardal já chegou com um praço maior, qualidade superior e formato diferente. Então quebrou um paradigma”.
E a chegada a Fortaleza realmente não foi à toa. A maior clientela da empresa está presente no Ceará, mais precisamente na Região Metropolitana de Fortaleza. Mas não é para menos. Gelatos como os de castanha, nata com goiaba e tapioca são servidos nos quatro cantos da cidade, seja por vendedores ambulantes ou estabelecimentos comerciais. Os produtos são os mais diversificados possíveis, tendo desde picolés com sabores ao leite e frutas sem lactose a potes de sorvete e sundaes.
Se, no início, os picolés e sorvetes vendidos por Joselma ficavam armazenados e conservados em isopores pequenos, anos depois, em 2006, a Pardal alcançou um grande marco: a inauguração do parque industrial no município de Eusébio, local onde permanece até hoje. Graças à qualidade e ao delicioso sabor, a indústria é considerada a maior do segmento no Ceará.
São mais de 40 mil picolés e 8 mil litros de sorvete produzidos diariamente, para atender os estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Joselma garante que o número de picolés vendidos é bem próximo ao que se é fabricado. Os valores dos picolés são bem acessíveis e variam de R$ 1 a R$ 4. “Para alimentos, não tem segredo mágico: matéria-prima de boa qualidade e processos bem feitos”, afirma. A empresa que começou apenas com a proprietária e seu marido, hoje conta com um quadro de mais de 100 funcionários. Joselma Oliveira vem colhendo bons frutos, literalmente.
Fonte: Tribuna do Ceará



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