Estudo diz que adultos têm duas lembranças da infância determinantes para serem felizes; saiba quais
Pesquisa com mais de 22 mil pessoas encontrou associação entre boas memórias e indicadores de bem-estar anos depois
Existe uma pergunta que parece simples, mas talvez diga muito sobre a infância que tivemos: quando você pensa nos seus pais, qual é a primeira lembrança que vem à cabeça?
Pode ser uma cena banal ou um colo depois de um tombo. Um pai segurando a sua mão forte durante um momento de medo. Uma mãe que escutou atenta uma história que, para qualquer outro adulto, parecia sem importância.
É justamente esse tipo de lembrança que ajuda a explicar uma descoberta interessante da psicologia: a maneira como adultos se lembram do cuidado recebido na infância está associada a aspectos da sua saúde física e emocional.
Um estudo publicado na revista científica Health Psychology acompanhou dois grandes grupos de adultos nos Estados Unidos.
Ao todo, foram mais de 22 mil participantes. Um dos grupos, com 7.108 pessoas, foi acompanhado por 18 anos; o outro, com 15.234 participantes, por seis anos.
Os pesquisadores queriam descobrir se as lembranças que essas pessoas tinham do relacionamento com seus pais antes dos 18 anos estavam relacionadas a mudanças posteriores na saúde e nos sintomas de depressão.
E, durante a pesquisa, apareceram dois elementos importantes:
- A lembrança de ter sido tratado com carinho pelos pais
Pessoas que se lembravam de receber mais carinho e afeto durante a infância apresentaram, ao longo do acompanhamento, melhor avaliação da própria saúde e menos sintomas depressivos.
Não significa que essas pessoas tenham tido uma infância perfeita. Nem mesmo que uma mãe carinhosa seja capaz, sozinha, de determinar o futuro de um filho.
O que a pesquisa encontrou foi uma associação: quanto mais positivas eram as lembranças relacionadas ao cuidado e ao afeto materno, melhores se mostravam alguns indicadores de saúde e bem-estar décadas depois.
- A lembrança de ter contado com o apoio dos pais
O segundo elemento aparece nas lembranças relacionadas ao apoio e ao afeto paterno. As pessoas que relatavam ter recebido mais apoio do pai também apresentavam menos sintomas depressivos. No segundo conjunto de dados, essas lembranças estiveram ainda associadas a uma melhor avaliação da saúde física.
Ou seja, não estamos falando de pais que necessariamente fizeram grandes coisas. A pesquisa aponta para algo muito mais cotidiano: a percepção de que havia um adulto disponível, cuidadoso e afetivamente presente.
A memória que fica não precisa ser extraordinária
E talvez aqui esteja a parte mais interessante para quem tem filhos. Inclusive, já falei algumas vezes disso no blog.
É comum imaginar que uma boa infância precisa ser construída com grandes experiências, como viagens, festas, presentes, restaurantes, passeios e fotografias perfeitas.
Mas as pesquisas sobre memória autobiográfica contam uma história mais complexa. O que parece permanecer não é apenas o que aconteceu, mas também como a criança se sentiu dentro daquela relação.
Explico. Uma criança pode não guardar todos os detalhes de uma viagem em família. Mas pode guardar a sensação de ter sido acolhida quando ficou com medo. Pode não saber explicar, décadas depois, o que sua mãe disse em determinado dia, mas conservar a lembrança de que, quando estava triste, havia alguém que a abraçava.
Vale ressaltar que essas lembranças nos ajudam a formar uma espécie de narrativa sobre quem somos e sobre o que podemos esperar das relações.
Já dizia Lya Luft: a infância é um chão que pisamos a vida inteira!
(Com informações do R7)
Comentários
Postar um comentário