Especialista explica por que sinais vistos nas redes não bastam para identificar TDAH, autismo ou altas habilidades.
Esquecer compromissos, perder a concentração ou ter dificuldade para terminar uma tarefa pode levantar uma dúvida cada vez mais comum: será que tenho TDAH? Com vídeos sobre transtornos e neurodiversidade circulando nas redes sociais, comportamentos cotidianos passaram a ser associados com frequência a diferentes diagnósticos.
A informação pode ajudar a reconhecer sinais e incentivar a busca por ajuda. O cuidado está em transformar conteúdos rápidos em uma espécie de autodiagnóstico.
Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Luciana Xavier , especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e mestranda em Neurociências, cresceu a procura de pessoas que chegam ao atendimento já suspeitando de TDAH, autismo ou altas habilidades.
“Recebo muitos pacientes que chegam perguntando se têm TDAH, autismo ou altas habilidades. Isso acontece porque hoje existe mais informação disponível, mas nem sempre essa informação vem acompanhada do contexto clínico necessário”, explica.
O mesmo cuidado vale para outros comportamentos.
“Ter dificuldade de atenção não significa necessariamente TDAH. Gostar de ficar sozinho não significa autismo. Ser inteligente não significa ter altas habilidades”, afirma Luciana.
Em uma avaliação neuropsicológica, diferentes aspectos podem ser considerados, incluindo história do desenvolvimento, comportamento, contexto familiar, acadêmico ou profissional e aspectos emocionais.
“Muitas vezes a pessoa chega acreditando ter um diagnóstico específico e descobre que existe uma compreensão muito mais complexa sobre seu funcionamento”, acrescenta.
“O diagnóstico é apenas um ponto de partida para compreender necessidades, potencialidades e possibilidades de intervenção”, ressalta.
Para Luciana, o aumento das discussões sobre neurodiversidade trouxe benefícios ao ampliar o acesso à informação. Isso, porém, não substitui uma avaliação profissional quando determinadas dificuldades passam a interferir significativamente na rotina.
“Desconfie de respostas rápidas para questões complexas. Em saúde mental e desenvolvimento humano, raramente existe uma única explicação para um comportamento”, alerta.
A especialista defende que o objetivo de uma avaliação não seja simplesmente encontrar um rótulo, mas compreender o funcionamento de cada pessoa e identificar estratégias que possam favorecer sua qualidade de vida.
(Com informações do iG)
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