Bets: quatro sinais de que o jogo pode ter virado compulsão


Além do SUS, algumas universidades públicas com cursos de psicologia oferecem clínicas-escola com atendimento à comunidade a preços simbólicos ou de forma gratuita


O debate sobre a regulamentação das apostas online, conhecidas como bets, tem gerado discussões em todo o país, colocando em evidência não apenas o impacto econômico, mas também os riscos associados ao vício, tema abordado inclusive na Lei 14.790/2023, que regulamenta o setor. Com a popularização dessas plataformas, cresce a preocupação sobre como identificar quando o que era para ser um entretenimento se transforma em uma compulsão financeira grave, com potencial para destruir vidas e famílias.

A transição de um apostador casual para um jogador compulsivo é sutil, mas marcada por mudanças comportamentais claras. O primeiro sinal costuma ser a preocupação constante com o jogo. A pessoa passa a pensar em apostas a maior parte do dia, planejando a próxima jogada e revivendo experiências passadas, sejam elas de ganho ou de perda. Essa obsessão interfere diretamente na rotina e nas responsabilidades diárias.

Outro indicador crítico é a necessidade de apostar quantias cada vez maiores de dinheiro para sentir a mesma emoção. O que antes era satisfatório com valores pequenos, agora exige um risco financeiro maior. Esse comportamento leva a um ciclo perigoso de perdas crescentes e tentativas desesperadas de recuperar o dinheiro, muitas vezes com novas apostas ainda mais arriscadas.

Principais sinais de alerta

Identificar a compulsão exige atenção a padrões que vão além do simples ato de apostar. Ficar atento a esses sinais é fundamental para buscar ajuda antes que as consequências se tornem irreversíveis.

  • Esconder o comportamento: mentir para familiares e amigos sobre a frequência e os valores gastos com as apostas é um forte indício de que a pessoa reconhece que há algo errado.

  • Consequências financeiras: recorrer a empréstimos, vender bens pessoais, atrasar o pagamento de contas ou usar dinheiro destinado a despesas essenciais para financiar o jogo.

    • Perda de controle: tentar parar ou diminuir o ritmo das apostas sem sucesso, sentindo-se irritado ou ansioso durante as tentativas.

    • Negligenciar responsabilidades: colocar as apostas à frente do trabalho, dos estudos e das relações sociais e familiares, resultando em queda de desempenho e isolamento.

    Onde encontrar ajuda gratuita

    No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para a compulsão por jogos. O caminho principal é buscar um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo o tipo mais indicado o CAPS AD (Álcool e Drogas), que também atende dependências comportamentais. Essas unidades contam com equipes multidisciplinares para oferecer suporte psicológico e psiquiátrico.

    O atendimento nos CAPS é gratuito. Para acessar o tratamento, recomenda-se procurar primeiro uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que fará a avaliação inicial e o encaminhamento ao CAPS mais adequado. Em alguns municípios, também é possível buscar diretamente o CAPS, que funciona com porta aberta.

  • Além do SUS, algumas universidades públicas com cursos de psicologia oferecem clínicas-escola com atendimento à comunidade a preços simbólicos ou de forma gratuita. Outra alternativa são os grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos (JA), que promovem reuniões gratuitas baseadas na troca de experiências.

  • (Com informações do Correio Braziliense)


Comentários