Seu dente nem sempre precisa ser extraído, alerta especialista

Dra. Carolina Campanelli explica por que preservar o dente natural deve ser a prioridade antes de pensar em implantes


Quando um dente apresenta uma infecção, uma fratura ou uma dor intensa, muitas pessoas acreditam que a extração é o caminho mais rápido para resolver o problema. 

Em alguns casos, inclusive, o implante dentário passa a ser visto como uma solução mais moderna e definitiva. 

No entanto, especialistas alertam que essa percepção nem sempre corresponde ao que a odontologia recomenda atualmente.

Com o avanço das técnicas, dos materiais e dos recursos tecnológicos, preservar o dente natural tornou-se um dos principais objetivos da odontologia moderna. 

Sempre que existe possibilidade clínica, preservar o dente natural costuma ser a alternativa mais conservadora e é a primeira opção defendida pelos especialistas.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Carolina Campanelli, especialista em Endodontia e Microscopia Operatória pela São Leopoldo Mandic e mestranda em Endodontia na mesma instituição, ainda existe muito desconhecimento sobre as possibilidades de tratamento.

“Um dos maiores mitos é acreditar que extrair o dente e colocar um implante é sempre a melhor solução. Sempre que existe possibilidade de preservar o dente natural, essa deve ser a primeira escolha.”

A  profissional explica que o tratamento de canal continua sendo um dos procedimentos mais cercados por medo, principalmente pela falsa ideia de que provoca dor intensa.

“Sem dúvida, o maior receio ainda é em relação ao tratamento de canal. Muitos pacientes chegam acreditando que ele é extremamente doloroso, quando, na realidade, o tratamento existe justamente para eliminar a dor causada pela inflamação ou infecção da polpa dental.”

Dra. Carolina Campanelli ressalta que a evolução da Endodontia mudou completamente a experiência do paciente.

“Hoje contamos com anestésicos mais eficientes, microscópio operatório, tomografia computadorizada de feixe cônico, localizadores apicais eletrônicos, sistemas mecanizados e técnicas modernas de irrigação. Esses recursos tornaram os tratamentos muito mais precisos, seguros, confortáveis e previsíveis.”

Tratamento não termina quando o canal acaba

Outro equívoco frequente é imaginar que, após a realização do canal, o problema está definitivamente resolvido.

Segundo a Dra. Carolina Campanelli, a recuperação do dente depende também da restauração adequada e da manutenção da saúde gengival.

“Muitas pessoas acreditam que, após o canal, o tratamento está finalizado. Na verdade, a restauração definitiva e a manutenção da saúde periodontal são fundamentais para garantir o sucesso do tratamento ao longo dos anos.”

Por isso, ela defende uma odontologia integrada, na qual diferentes especialidades trabalham juntas para preservar função, estética e saúde bucal.

“Na Endodontia conseguimos preservar o dente. Na Dentística devolvemos função e estética. Já a Periodontia garante que os tecidos de suporte permaneçam saudáveis, aumentando a longevidade de todo o tratamento.”

Prevenção ainda é o melhor tratamento

A especialista observa que muitas pessoas procuram o consultório apenas quando a dor já está instalada.

Com isso, pequenas cáries, infiltrações e doenças gengivais evoluem silenciosamente até atingir estruturas mais profundas, tornando o tratamento mais complexo.

“A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar tratamentos complexos. Escovação adequada, uso diário do fio dental, consultas periódicas e limpezas profissionais são indispensáveis. Além disso, tratar pequenas cáries precocemente evita que elas atinjam a polpa do dente.”

Ela destaca que informação de qualidade também faz parte do tratamento.

“A informação permite que o paciente compreenda sua condição e participe das decisões. Um diagnóstico precoce pode evitar a perda de um dente e proporcionar tratamentos mais conservadores, previsíveis e duradouros.”

Escolher o profissional vai além das redes sociais

Para a Dra. Carolina Campanelli, tecnologia e presença digital são importantes, mas não devem ser os únicos critérios na hora de escolher um profissional.

“Minha principal orientação é que o paciente escolha um profissional pela formação, atualização científica, experiência clínica e compromisso com a ética. Um bom profissional é aquele que sabe ouvir, realizar um diagnóstico cuidadoso e indicar apenas aquilo que realmente é necessário.”

Professora auxiliar da São Leopoldo Mandic, a especialista acredita que ciência, tecnologia e humanização precisam caminhar juntas.

“Mais do que tratar dentes ou realizar procedimentos, nosso papel é cuidar de pessoas. Quando ciência, técnica, ética e humanização caminham juntas, os resultados refletem diretamente na saúde, na confiança e na qualidade de vida dos pacientes.”[

(Com informações do iG)

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