Falta de foco? O erro no seu prato que esgota a mente

Aquela fadiga mental que você joga a culpa no estresse diário esconde uma ausência crucial de um combustível que poucos consomem


Apesar de representar apenas uma pequena fração do peso corporal, o cérebro consome cerca de 20% de toda a energia que ingerimos diariamente. E, além de estimular cognitivamente um dos órgãos mais importantes do corpo, outros hábitos são igualmente necessários para fortalecer e proteger a mente a longo prazo, refletindo diretamente na memória e no raciocínio. 

O dia 22 de julho, Dia Mundial do Cérebro, destaca, entre outros temas, como a alimentação adequada funciona como uma blindagem para a mente e ajuda a evitar o envelhecimento precoce das células ligadas à memória. De acordo com Sandra Fernandes, médica nutróloga da Kora Saúde, o estilo de vida moderno tem levado as pessoas a priorizarem alimentos ultraprocessados, com baixa ingestão de nutrientes essenciais.  

Esse padrão inadequado, seja pelo excesso de gorduras prejudiciais ou pela deficiência de vitaminas, gera uma espécie de inflamação silenciosa no organismo, que compromete a comunicação entre os neurônios e acelera o envelhecimento cerebral. A boa notícia é que pequenas mudanças na alimentação e ajustes na rotina são capazes de reduzir o risco de declínio cognitivo

“O nosso cérebro depende totalmente daquilo que colocamos no prato. Quando escolhemos os alimentos certos, estamos oferecendo o combustível ideal para a nossa mente trabalhar sem esforço. Coisas simples do dia a dia fazem toda a diferença: o ômega 3 presente nos peixes funciona como uma capa protetora para as nossas células cerebrais, enquanto um punhado de castanhas ou frutas vermelhas ajuda a combater o envelhecimento natural da mente. É dar ao cérebro o que ele realmente precisa para funcionar bem”, exemplifica a nutróloga.

Os micronutrientes que ditam o ritmo do foco

Além das refeições principais, o segredo da longevidade mental também está nos minerais e nas vitaminas que muitas vezes passam despercebidos nos exames de rotina, mas cuja deficiência pode ser sentida logo nas primeiras horas de trabalho. A médica destaca que a falta de foco e o cansaço extremo, frequentemente confundidos com estresse, podem ser, na verdade, apenas sinais de que o cérebro está operando “na reserva” por falta de matéria-prima adequada. 

“As vitaminas do complexo B, muito presentes no feijão, na lentilha e no grão-de-bico, são verdadeiras geradoras de energia constante para os neurônios. Também precisamos de minerais como o magnésio e o zinco para manter a concentração, além da colina, presente no ovo e essencial para a memória. Para blindar a mente, os vegetais verde-escuros, como a couve e o brócolis, e as frutas cítricas, como a laranja, são imbatíveis no combate ao estresse que esgota o cérebro. Se a pessoa está usando medicação para emagrecer ou vive na correria, o cuidado com esses alimentos precisa ser redobrado para que a memória não falhe”, alerta a especialista.

Além da escolha dos ingredientes, Sandra reforça a importância da hidratação e do cuidado com o consumo excessivo de cafeína para compensar o cansaço durante o expediente. Embora o café proporcione um estado temporário de alerta, o consumo exagerado ao longo do dia costuma mascarar não apenas a má alimentação, mas também a desidratação crônica, uma das principais causas de dores de cabeça e lapsos de memória no meio da tarde.

Vale destacar que cuidar da mente começa muito antes dos primeiros sinais de esquecimento, ainda nas escolhas feitas no supermercado e na feira. Para quem deseja envelhecer com autonomia e manter a agilidade mental no futuro, o caminho mais seguro é buscar a orientação de um especialista para corrigir deficiências nutricionais de forma individualizada e equilibrar o metabolismo.

(Com informações do Portal Estado de Minas)




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