Por que as pessoas desistem da academia nas primeiras semanas?

Especialista explica erros comuns no início e como a constância faz diferença nos resultados ao longo do tempo


A empolgação de começar a treinar costuma ser alta. Mas, para muitas pessoas, ela dura pouco. As primeiras semanas na academia são justamente o período em que mais ocorrem desistências, muitas vezes antes mesmo de o corpo começar a responder aos estímulos do exercício.

Esse padrão não acontece por acaso. Entre os principais fatores estão expectativas irreais, falta de orientação adequada e dificuldade em encaixar a atividade física na rotina.

Segundo a personal trainer Faby Melo, o início costuma ser marcado por uma busca imediata por resultados. “As pessoas começam esperando mudanças muito rápidas. Quando isso não acontece nas primeiras semanas, vem a frustração e, muitas vezes, a desistência”, explica.

Outro ponto frequente é a falta de direcionamento. Treinar sem acompanhamento ou seguir treinos genéricos pode dificultar a evolução. “Muita gente entra na academia e não sabe o que fazer. Executa exercícios sem entender o objetivo, sem saber o que está acontecendo no corpo nesse início, que é uma fase de adaptação”, afirma.

Intensidade alta no começo pode atrapalhar

A tentativa de “compensar o tempo perdido” também é um erro comum. Começar com muita intensidade pode gerar dores excessivas e até lesões, o que afasta ainda mais a pessoa da rotina de treino.

“Quando começa muito intenso, a dor aumenta nos dias seguintes. A pessoa acorda com desconforto na lombar, no joelho e isso desmotiva. Muitas vezes, não houve respeito ao descanso, ao número de repetições e à própria condição física”, explica Faby.

Esse comportamento é ainda mais comum em pessoas que passaram anos sem praticar atividade física e tentam acelerar o processo logo no início.

Expectativas irreais e influência das redes sociais

As redes sociais também têm impacto direto nessa percepção. Conteúdos que prometem resultados rápidos acabam criando uma expectativa distante da realidade.

“Hoje parece que tudo é imediato. Vídeos mostram que em um mês você vai ter resultado, vai definir o corpo. Só que isso varia muito de pessoa para pessoa. É preciso planejamento e acompanhamento”, destaca.

Para a especialista, alinhar expectativas é parte fundamental do processo. Entender que o exercício vai além da estética ajuda a manter a motivação ao longo do tempo.

Falta de rotina ainda é um dos principais desafios

A dificuldade em manter uma rotina regular também pesa na desistência. A correria do dia a dia faz com que o treino seja deixado em segundo plano.

“O que eu sempre falo é que a pessoa precisa se colocar como prioridade. Nem que sejam 30 minutos. O importante é encaixar na agenda e manter a constância”, orienta.

A adaptação do treino à realidade de cada pessoa é essencial. Dias com menos tempo podem ter treinos mais curtos, enquanto momentos mais disponíveis permitem treinos mais completos.

Resultado vem com constância, não com pressa

Existe um mito de que só treinos longos ou diários trazem resultado. Na prática, o que faz diferença é a consistência.

“Se você treinar 20 minutos todos os dias ou três vezes na semana com qualidade, você vai ter resultado. O mais importante é não parar”, afirma Faby.

Ela reforça que os primeiros sinais de evolução nem sempre são estéticos. Melhor qualidade do sono, mais disposição e melhora na alimentação costumam aparecer antes das mudanças visuais.

Para quem já desistiu, o caminho é recomeçar diferente

Para quem já tentou várias vezes e não conseguiu manter a rotina, o primeiro passo é buscar orientação e ajustar a estratégia.

“Se puder, tenha acompanhamento de um profissional. Ter alguém que mostre onde você está acertando e errando faz diferença”, explica. A presença de acompanhamento também ajuda na motivação e na percepção de resultados, o que aumenta as chances de continuidade.

“A estética vem como consequência. Quando a pessoa entende que está cuidando da saúde, ela consegue manter o processo”, completa a personal com mais de 20 anos de experiência na área.

(Com informações do iG)

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