Especialista explica como a respiração influencia o sistema nervoso, o sono, o foco e a saúde emocional
A respiração, um ato automático e muitas vezes negligenciado, tem ganhado espaço em estudos e práticas voltadas à saúde mental, ao controle do estresse e à melhora do desempenho cognitivo. A educadora respiratória Bel Mota, que atua com foco na regulação do sistema nervoso, explica que a forma como respiramos pode influenciar diretamente o funcionamento do corpo e da mente.
Com mais de 30 anos de experiência em comunicação, Bel construiu carreira como apresentadora, repórter e locutora, com passagens por emissoras como TV Globo, Fox, canal E! e também como voz da NBCUniversal por 14 anos. Após duas décadas atuando como voz de marcas e projetos, decidiu desacelerar a carreira na televisão e iniciou um processo de autoconhecimento que a levou ao estudo da respiração.
Durante esse período, aprofundou-se em práticas corporais e respiração consciente, formou-se em Breathwork, Kundalini Yoga e iniciou uma pós-graduação em Neurociência da Respiração, com o objetivo de compreender cientificamente os efeitos das técnicas respiratórias no organismo.
Segundo Bel, a respiração é o único sistema fisiológico que pode ser controlado de forma voluntária e, por isso, pode ser utilizada como ferramenta para influenciar estados emocionais e fisiológicos. “Através da respiração é possível impactar diretamente estresse, ansiedade, foco, energia e desempenho cognitivo, porque ela atua diretamente no sistema nervoso autônomo”, explica.
Hoje, sua área de atuação é voltada à educação respiratória com foco na regulação do sistema nervoso. Entre os principais objetivos do trabalho estão a redução do estresse e da ansiedade, melhora do sono, aumento de energia, foco e regulação emocional, sempre com base em práticas que conectam ciência e corpo.
Ela também alerta para um dos principais mitos sobre o tema: o de que a respiração consciente serve apenas para relaxamento. “Hoje sabemos que ela atua diretamente no nervo vago, influenciando frequência cardíaca, pressão arterial, resposta ao estresse e equilíbrio emocional. Não é algo subjetivo, é fisiológico”, explica.
Outro equívoco comum, segundo a profissional, é acreditar que respirar bem é algo automático. Na prática, muitas pessoas desenvolvem ao longo da vida padrões respiratórios inadequados, como respiração curta, bucal e concentrada no peito, quando o padrão considerado mais eficiente é nasal, diafragmático, lento e profundo.
Como forma de prevenção e promoção de qualidade de vida, Bel destaca alguns pilares fundamentais: consciência da respiração ao longo do dia, pausas conscientes na rotina, movimento corporal regular e práticas de regulação emocional através do corpo. Estudos científicos, segundo ela, apontam que práticas respiratórias adequadas podem ajudar a reduzir a inflamação sistêmica e melhorar indicadores como a variabilidade da frequência cardíaca, associada à saúde do sistema nervoso.
A educadora respiratória também destaca a importância da orientação profissional. Segundo ela, técnicas feitas de forma inadequada podem aumentar a ansiedade em vez de reduzir. “O acompanhamento permite personalizar as práticas, respeitar o ritmo do sistema nervoso e evitar sobrecarga. A regulação acontece por precisão e autoconhecimento”, afirma.
Entre os avanços mais relevantes na área, ela destaca o crescimento de protocolos respiratórios baseados em evidências científicas, estudos sobre coerência cardíaca, aplicações clínicas do breathwork e a teoria polivagal, que amplia a compreensão sobre segurança, conexão e resposta ao estresse.
Para quem busca um profissional qualificado, a orientação é procurar alguém que una conhecimento técnico e experiência prática, compreenda o funcionamento do sistema nervoso e não prometa resultados imediatos. “Aprender a respirar de forma consciente não é sobre depender de um método, é sobre acessar um recurso que já é seu”, conclui.
(Com informações do iG)
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