Dizer “não” também é uma forma de autocuidado

Psicóloga explica por que impor limites no trabalho protege a saúde mental e evita esgotamento


Recusar um pedido, impor limites e se posicionar diante do outro pode ser desconfortável, mas faz bem à saúde emocional. Pesquisas em neurociência mostram que o cérebro interpreta a rejeição social de forma semelhante à dor física, ativando áreas como a amígdala e o córtex cingulado anterior, regiões ligadas ao processamento das emoções, à tomada de decisões e à percepção da dor.

Essa reação ajuda a explicar por que tantas pessoas têm dificuldade em dizer “não”, especialmente no ambiente de trabalho. O medo de desagradar chefes e colegas, perder oportunidades ou ser visto como pouco colaborativo faz com que muitos profissionais aceitem demandas além do limite saudável. O resultado costuma ser sobrecarga, estresse crônico e queda de produtividade.

Para a psicóloga Denise Milk, a incapacidade de estabelecer limites claros está diretamente relacionada ao aumento de casos de esgotamento profissional. “No trabalho existe uma pressão constante por desempenho e aprovação. Quando a pessoa não consegue dizer ‘não’, ela acumula funções, ultrapassa seus próprios limites e compromete a saúde mental”, afirma.

Segundo a especialista, o receio de rejeição tem base biológica, mas precisa ser administrado de forma consciente. “O cérebro entende a rejeição como uma ameaça, por isso negar um pedido pode gerar culpa ou ansiedade. No entanto, dizer ‘não’ de forma respeitosa é um posicionamento saudável e não significa falta de comprometimento”, explica.

Desenvolver assertividade, segundo a psicóloga, é um passo importante para prevenir o esgotamento emocional. Reconhecer os próprios limites e comunicá-los com clareza ajuda a fortalecer a autoestima, melhorar as relações profissionais e proteger a saúde mental.

“Dizer ‘não’, quando necessário, é uma forma de autocuidado e maturidade”, conclui Denise Milk.

(Com informações do iG)

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