Se acha dono da razão? Nem sempre estamos certos e saber ouvir é essencial

Escuta do outro (inclusive de opiniões divergentes) nos ajuda a evoluir

"Você precisa melhorar na entrega de resultados." "Meu time está mais bem preparado que o seu." "Não acho justo a empresa exigir trabalho presencial todos os dias enquanto outras mantêm modelo híbrido."

Frases como essas fazem parte do cotidiano e, muitas vezes, despertam discordância imediata. Diante de opiniões contrárias, a reação costuma variar: há quem tente compreender o ponto de vista do outro e há quem simplesmente reaja como se fosse o dono da razão.

A maneira como se analisa a opinião alheia reflete diretamente o nível de conhecimento e humildade. A consciência funciona a partir da percepção e das informações que o mundo envia por meio dos sentidos — e ouvir é uma dessas portas de entrada. Se há incompetência na habilidade de ouvir, há também limitação naquilo que se percebe do mundo externo.

A dificuldade de escutar e avaliar o que se discorda pode deixar a pessoa desalinhada com a realidade ao redor. Muitas vezes, ao ouvir algo com que não concorda, o indivíduo deixa de prestar atenção e começa a preparar a resposta antes mesmo de o outro concluir o raciocínio.

Admita, ninguém sabe de tudo

A primeira atitude para prestar atenção naquilo com que não se concorda é interessar-se pelo assunto. É preciso partir do princípio de que se pode estar equivocado e de que o outro talvez esteja trazendo uma luz para algo que ainda não foi enxergado. Questionar qual é o fundamento da fala, se há lógica e como aquele raciocínio foi construído ajuda a ouvir de forma mais aberta.

Para conseguir ouvir o outro, é necessário reconhecer que as próprias ideias podem não ser tão coerentes quanto se imagina. Todos conhecem seus pensamentos pré-determinados, mas ampliar horizontes exige contato com o novo e com o diferente. Pessoas que evoluem são aquelas capazes de escutar o que o outro tem a dizer, mesmo quando não gostam do que ouvem.

Em O Discurso do Método, René Descartes (1596-1650) escreveu que o bom senso é a coisa mais abundante do mundo, porque ninguém acredita que lhe falte bom senso. A reflexão permanece atual: todos enxergam problemas, mas poucos admitem a própria responsabilidade. Apegar-se apenas às próprias certezas dificulta o aprendizado.

No fim das contas, estamos aqui para aprender — inclusive com aqueles de quem discordamos frontalmente. Ouvir opiniões e sentimentos diferentes favorece a construção de reflexões mais consistentes e relações mais respeitosas. Reconhecer que ninguém sabe tudo é um passo básico de autoconhecimento e abre espaço para evolução.

(Com informações do UOL)

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