Quando uma criança não quer voltar para a escola sempre pensamos que é “preguiça” ou “birra”. Afinal, é difícil voltar para a rotina após um período de férias. Mas a verdade é que precisamos ficar atentos se isso não é um sinal emocional de que algo precisa ser escutado.
O comportamento é a forma que a criança encontra para comunicar o que ainda não consegue explicar em palavras, principalmente, nos primeiros anos escolares.
“É fundamental, primeiro, acolher o sentimento da criança ou do adolescente - o que favorece a regulação emocional - para depois, sim, ajustar o comportamento. Conversar, observar padrões e principalmente manter uma postura firme, mas afetuosa. Tudo isso ajuda na adaptação”, explica Patrícia Marques, psicopedagoga e especialista em neurociência do desenvolvimento.
Por isso, listei aqui alguns motivos que podem ser o gatilho dessa resistência:
Ansiedade de separação
Nos primeiros anos, é muito comum que as crianças sintam desconforto. Ela pode sentir medo de ficar longe dos pais ou insegurança ao se separar novamente após férias, feriados ou mudanças na rotina.
Dificuldades emocionais
Alguns sentimentos como medo, frustração ou sensação de não pertencimento. Às vezes a criança não se sente acolhida, compreendida ou segura no ambiente escolar.
Problemas de convivência
Conflitos com colegas, sensação de exclusão ou até situações de bullying (mesmo sutis) fazem a escola deixar de ser um lugar prazeroso.
Desafios acadêmicos
Quando a criança não acompanha o ritmo da turma, pode surgir vergonha, medo de errar ou sensação de incapacidade — e a recusa vira uma forma de evitar o desconforto.
Mudanças recentes
Troca de escola, professora nova, sala diferente ou até mudanças em casa (irmão novo, mudança de casa, separação dos pais) podem gerar insegurança.
Associações negativas
Alguma experiência ruim — uma bronca, um castigo, uma situação constrangedora — pode marcar emocionalmente e criar resistência.
O que ajuda de verdade?
- Escutar sem minimizar (“não é nada” geralmente fecha o diálogo)
- Validar o sentimento (“eu vejo que isso está difícil pra você”)
- Investigar com calma, por meio de conversas e brincadeiras
- Manter rotina e previsibilidade
- Conversar com a escola, se necessário
Atenção: se a recusa é frequente e/ou vem acompanhada de sintomas físicos (como dor de barriga, dor de cabeça, choro excessivo) é importante buscar ajuda profissional de uma psicóloga infantil.
Ainda segundo a psicopedagoga, é importante não procurar culpados: “A prevenção é o melhor caminho. Voltar às aulas faz parte de um processo e nem todos passarão por ele da mesma forma”.
Boa volta às aulas!!!
(Com informações do R7)
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