Gatilhos mais comuns de uma queda vão muito além da estética
Na prática, quando os fios começam a cair mais do que o normal, o motivo costuma ser mais complexo e ter relação com o que está acontecendo dentro do corpo.
O cabelo funciona como uma espécie de termômetro da saúde geral: em momentos de estresse físico ou emocional, o organismo entra em modo de economia de energia e passa a priorizar o que é essencial para a sobrevivência.
O crescimento dos fios fica em segundo plano e o resultado aparece algum tempo depois, quando o corpo já tentou se reorganizar. Situações de impacto podem interromper a fase de crescimento (anágena) e levar muitos cabelos de uma vez para a fase de repouso e queda (telógena), o que dá a sensação de perda intensa e repentina. O fenômeno é conhecido como eflúvio telógeno.
“O cabelo é um tecido não essencial para a sobrevivência. Diante de um evento extremo, o organismo prioriza órgãos vitais e redistribui energia e nutrientes. O fio paga essa conta meses depois”, explica João Gabriel Fernandes, tricologista especializado em queda e recuperação capilar e fundador da AnaGrow.
“O corpo entra em modo de sobrevivência. Preserva o essencial e suspende funções secundárias. O cabelo só responde quando esse ciclo se encerra, geralmente entre dois e quatro meses depois”, afirma.
Confira as situações que podem aumentar a queda de cabelo
Pós-parto, Covid e grades cirurgias:
Entre os gatilhos mais frequentes da queda capilar estão eventos que drenam intensamente as reservas do corpo. No pós-parto, por exemplo, a queda vai muito além da oscilação hormonal.
"A gestação consome ferro, zinco, vitaminas do complexo B e proteínas. Quando essa reposição não acontece de forma adequada, o cabelo sente", explica João Gabriel.
No pós-Covid, estudos indicam que o impacto inflamatório sistêmico da infecção pode alterar o funcionamento do folículo capilar, mesmo em quadros considerados leves.
"Não é apenas o vírus, mas o estresse metabólico e imunológico que ele impõe ao organismo", diz.
Cirurgias de grande porte, especialmente as bariátricas, também figuram entre as causas mais relevantes. A rápida perda de peso, somada à redução na absorção de nutrientes, cria um ambiente propício para quedas intensas e afinamento progressivo dos fios.
Estresse crônico e trauma emocional:
Nem sempre a origem da queda é física. O estresse crônico, privação de sono e traumas emocionais prolongados interferem diretamente na saúde capilar, conforme explica Fernandes.
“O estresse altera hormônios como o cortisol, compromete a circulação do couro cabeludo e mantém o organismo em estado inflamatório constante. Isso afeta o ambiente onde o fio nasce”, explica o especialista.
Esse tipo de queda costuma ser mais difícil de identificar porque não está ligado a um evento único, mas a um desgaste contínuo - muitas vezes normalizado na rotina moderna.
Como identificar quando a queda exige investigação?
Uma queda considerada normal leva à queda de, aproximadamente, 70 fios por dia. O sinal de atenção aparece quando o volume diminui, a risca do cabelo fica mais aberta, surgem falhas visíveis ou quando a quantidade de fios no banho, na escova ou no travesseiro aumenta de forma clara.
Nesses casos, focar apenas em "produtos milagrosos" costuma gerar frustração, pois o cabelo tem um crescimento lento e responde ao ritmo do organismo. O segredo está no cuidado integral: alimentação, exames em dia, qualidade do sono e controle do estresse são fundamentais.
Os protocolos mais eficazes combinam ajuste nutricional, controle inflamatório e estímulo do folículo. O objetivo não é acelerar resultados a qualquer custo, mas criar o ambiente ideal para que o fio volte a crescer de forma saudável, previsível e sustentável.
(Com informações do CNN Brasil)
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