Bronzeado sem proteção? Entenda os perigos do movimento antiprotetor solar


O perigo da obsessão da Geração Z pela pele dourada,  jovens viralizam vídeos incentivando o bronzeamento sem proteção. A tendência, no entanto, é baseada em desinformação e aumenta o risco de câncer de pele, manchas e envelhecimento precoce



No universo dos cuidados com a pele, há uma contradição que preocupa especialistas. Enquanto muitos jovens valorizam rotinas elaboradas de skincare, uma parte deles abre mão do básico, abandonando ou negligenciando o protetor solar, especialmente quando o objetivo é bronzear.

Uma pesquisa da Academia Americana de Dermatologia com mais de 1 000 jovens de 18 a 25 anos nos EUA revelou que 52% deles ignoram um ou mais riscos do sol, como câncer ou envelhecimento precoce da pele. Enquanto um quarto (27%) dos americanos dizem que só usam protetor solar quando alguém insiste para que façam isso, entre a geração Z, esse percentual sobe para 37%.

De certa forma, o comportamento de se expor ao sol sem proteção não é exclusivo da geração atual. Um levantamento conduzido entre 1986 e 1996 mostrou que os então jovens de 18 a 24 anos eram mais propensos do que as gerações anteriores a frequentar cabines de bronzeamento e a sofrer queimaduras solares.

A busca pelo bronzeado como símbolo de beleza e vitalidade é um comportamento que se repete, mas agora ganha amplitude e velocidade nas redes sociais. No TikTok, usuários promovem a hashtag “antisunscrenn ou #nosunscreeen, defendendo a prática do bronzeado sem o uso de filtro solar. Os argumentos vão de “produtos químicos fazem mal” a “se Deus criou o Sol, é porque é bom”.

Mas o alerta é claro: essa tendência é perigosa e baseada em desinformação. “É uma moda que vem principalmente de fora do Brasil e que está começando a chegar aqui. O uso do filtro solar é fundamental para proteger a pele tanto das lesões malignas quanto do fotoenvelhecimento e da formação de rugas e manchas”, explica Julianna Hanzmann, dermatologista da Casa de Saúde São José e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A médica rebate uma das desculpas dos adeptos do bronzeamento sem protetor solar: o medo de prejudicar a produção de vitamina D, essencial para o sistema imunológico e a saúde óssea. “É possível fazer a conversão da vitamina D com poucos minutos de exposição solar, mesmo usando filtro”, aponta.

Os danos vão além das queimaduras

Os malefícios da tendência não se limitam ao efeito camarão na pele após um dia de sol. A exposição solar sem proteção danifica o DNA das células, provocando alterações cumulativas que podem evoluir para lesões pré-cancerígenas e até mesmo o melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele.

A realidade é que não existe bronzeado saudável. “O sol definitivamente não é bom para a pele. Nenhuma forma de bronzeado que envolva radiação é benéfica”, diz a dermatologista. Para quem deseja manter um tom dourado, a opção segura são os autobronzeadores em creme, que agem por reação química superficial e não envolvem exposição solar.

Proteção no dia a dia e no lazer

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de filtro solar com FPS a partir de 30, reaplicado a cada duas horas em casos de exposição direta. Em cidades com muita radiação, como as litorâneas, o ideal é usar FPS 50 ou mais, segundo a médica. “O protetor deve ser aplicado diariamente, faça sol ou chuva, inclusive para quem trabalha em ambientes fechados e se expõe brevemente ao sol”, diz.

Além do filtro, o cuidado deve incluir chapéus de aba larga, óculos escuros, viseiras e roupas com proteção UV, além de evitar o sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa.

(Com informações da Revista Marie Claire)


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