Clonazepam em refrigerante: o que se sabe até agora sobre intoxicação no Brasil

Nesta semana, a Polícia Civil confirmou que a substância foi encontrada em refrigerante consumido pelas vítimas


A Polícia Civil confirmou, na última segunda-feira (10), que a substância clonazepam foi encontrada no refrigerante que intoxicou 12 funcionários de um pronto-atendimento em Santa Cecília, em Santa Catarina, no final de outubro. 

Os servidores intoxicados relataram tontura, sono intenso e lapsos de memória, sintomas que surgiram quase ao mesmo tempo. Todos chegaram a ser internados e, após, receberam alta.

O que é clonazepam?

O clonazepam é um medicamento de uso controlado que integra a família dos benzodiazepínicos. Esses são frequentemente usados na aplicação do golpe "Boa noite, Cinderela"

O clonazepam é utilizado principalmente no tratamento de transtornos de ansiedade distúrbios do sono. Como explica o médico psiquiatra Ricardo Nogueira, coordenador do Núcleo de Psiquiatria do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a pessoa fica mais lenta e perde a capacidade cognitiva. Com uso prolongado ou em altas dosagens, o clonazepam pode causar alterações de memória.

Esse remédio atua como depressor do sistema nervoso central, ou seja, diminui a velocidade das transmissões elétricas, o que explica os efeitos gerados.

De acordo com o portal g1, o clonazepam é o calmante mais vendido no Brasil.


Há suspeitos?

Os sintomas nos funcionários começaram após o café da tarde em 21 de outubro, quando compartilharam um refrigerante de dois litros levado por uma mulher ao posto de saúde. 

Ela foi identificada como tia de um funcionário da unidade. A mulher e o sobrinho foram presos, suspeitos de envolvimento no caso.

O homem, que trabalha na unidade, foi alvo de uma denúncia por assédio sexual feita por colegas. No início de outubro, ele foi afastado das funções. 

Durante uma operação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos dois. Os nomes deles não foram divulgados.

O que as vítimas sentiram?

A ausência de uma clareza sobre o que havia acontecido foi relatada pelas vítimas. Uma delas afirmou: "Onde eu me encosto, eu durmo". Outras afirmaram terem tido tontura, peso na cabeça e sonolência extrema.

Entre os afetados, estavam médicos, enfermeiros, técnicos, farmacêuticos e pessoal administrativo. 

O técnico de enfermagem Márcio Granemann, que também é vereador na cidade, contou ao g1 ter sentido "ardência na garganta" após o consumo da bebida. 

— Era como quando alguém limpa o banheiro ou ambiente fechado e sente o gosto do alvejante. Fiquei tonto e apaguei — disse.


Como começou a investigação?

Ainda em outubro, a Polícia Civil começou a coletar provas para entender as circunstâncias do episódio e verificar eventual conduta criminosa. 

Segundo o g1, em 23 de outubro, a investigação informou que o refrigerante apontado como causador do mal-estar coletivo havia sido levado até a unidade de saúde pela tia de um funcionário afastado em 8 de outubro. 

Alimentos e bebidas ingeridos pelas vítimas foram encaminhados para perícia. O ponto em comum entre os afetados foi o consumo do refrigerante de dois litros

Ainda de acordo com o portal, pelo menos até segunda-feira (10), 11 dos 12 funcionários intoxicados já haviam retornado ao trabalho. Uma das pacientes foi afastada com problemas pulmonares, mas não há detalhes se há relação ou não com a intoxicação.


(Com informações do GZH)

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