Devido a uma grave doença pulmonar na juventude, o papa Francisco retirou parte de um dos pulmões e vive com o outro que lhe restou. Quando tinha 21 anos, uma pneumonia que gerou três cistos no pulmão fizeram os médicos argentinos controlarem a doença de Jorge Mario Bergoglio com uma cirurgia. Tendo a parte superior do pulmão direito removida há cerca de 50 anos, o Papa vive bem até hoje, apesar da supressão de parte de um órgão vital.
Tempos atrás, o procedimento era comum, principalmente após casos de tuberculose. Hoje, os principais problemas de saúde que levam a uma cirurgia desse porte são defeitos genéticos, enfisemas ou síndromes pulmonares.O pneumologista do Hospital Moinhos de Vento Enio do Valle explica que qualquer pessoa pode viver perfeitamente com apenas um pulmão. Casos como o do Papa atingem outros famosos, como o cantor Nat King Cole, que removeu o órgão devido a um câncer, mas continuou cantando depois da operação.
Mesmo com limitações na capacidade pulmonar, a pessoa pode e deve fazer atividades físicas. Segundo Do Valle, quem não tem os dois pulmões pode dar-se ao direito de bater uma bolinha de vez em quando. Claro, o fôlego não é o mesmo, e a corrida requer uma certa dosagem. A restrição dependerá de outros fatores que compõem o conjunto físico da pessoa, como o coração, a musculatura e o peso, por exemplo.
Um fator que pode resultar em operações de pulmão é a bronquiestasia, dilatação irreversível de porções brônquicas, associada à obstrução e infecção pulmonar. Doença de ordem genética, também pode ser adquirida a partir de infecções repetidas.
No caso do gerente comercial Marcius de Souza, foi uma série de crises de asma que desencadearam o problema. Ele tinha apenas cinco anos quando teve a doença. Uma cirurgia parar retirar parte do pulmão direito, realizada no Pavilhão Pereira Filho da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, permitiu a Souza ter uma vida normal. E o problema foi tão bem superado que ele se voltou aos esportes. Estudou educação física, tornou-se goleiro nas peladas da turma e treina até hoje:
— Me falta ar rapidamente nos exercícios e não posso ficar muito embaixo d'água, mas sempre fiz atividade física.
Intervenção radical
Muitas vezes, a cura do paciente exige a remoção parcial ou total de um pulmão.
— A retirada de uma parte ou de um pulmão inteiro por doença infecciosa significa a irrecuperabilidade do órgão com tratamento clínico. Abscessos, cavidades colonizadas por fungos, brônquios dilatados, infeccões repetidas, sangramentos e outras complicações podem tornar imprescindível a remoção cirúrgica da área lesada.
— A pneumectomia é a retirada cirúrgica de um pulmão inteiro. A remoção de um lobo do pulmão é conhecida como lobectomia e a retirada de apenas um segmento é chamada de segmentectomia.
— A pneumonectomia (retirada de um pulmão inteiro) representa cerca de 25% das operações. No passado, a pneumonectomia por tuberculose era mais frequente. Ainda se remove pulmões destruídos por doenças infecciosas e a tuberculose é a causa mais comum, devido ao diagnóstico tardio, abandono de tratamento e problemas sociais (desamparo familiar, miséria extrema, alcoolismo, drogas). Tumores grandes onde a retirada de um pulmão inteiro é necessária para remover a doença e a reserva de fôlego já está comprometida por enfisema podem tornar a operação impossível.

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